Egito foi superior e fez por merecer a classificação; confira as impressões
Futebol Copa do Mundo

Egito foi superior e fez por merecer a classificação; confira as impressões

O Egito garantiu uma classificação histórica para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 e, olhando para os 120 minutos, o resultado parece justo. Apesar do empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, a seleção africana foi a equipe que mais controlou o jogo durante a maior parte da partida, principalmente no primeiro tempo e também na prorrogação, quando voltou a assumir a iniciativa.

Os números ajudam a explicar essa superioridade. O Egito terminou com 58% de posse de bola, contra 42% da Austrália, além de registrar 1,32 gols esperados (xG), enquanto os australianos ficaram em apenas 0,84. Também criou as três únicas grandes chances da partida, mostrando que, embora tenha finalizado menos vezes (14 contra 16), produziu oportunidades muito mais perigosas. 

A diferença na efetividade também chamou a atenção: foram três finalizações na direção do gol para os egípcios, enquanto a Austrália acertou apenas uma durante todo o confronto.

Depois de abrir o placar ainda na primeira etapa, o Egito parecia ter o jogo sob controle. A equipe baixou suas linhas de marcação, administrou a posse quando necessário e não permitiu que o adversário encontrasse espaços com facilidade. 

O empate acabou surgindo em um lance completamente circunstancial, com Mohamed Hany marcando contra o próprio patrimônio após uma cobrança de bola parada. Mesmo assim, os africanos não se desesperaram e retomaram o controle nos momentos decisivos, principalmente na prorrogação, quando deram a impressão de serem o único time realmente interessado em evitar a disputa por pênaltis.

No fim, a classificação veio nas cobranças, mas foi construída ao longo dos 120 minutos.

Austrália competiu até o fim, mas viveu de bolas longas e da infelicidade egípcia

A eliminação australiana certamente não pode ser considerada vergonhosa. A equipe competiu durante toda a partida, mostrou intensidade física e conseguiu equilibrar o confronto em diversos momentos, principalmente depois de empatar o jogo. Ainda assim, faltou criatividade para transformar sua pressão em oportunidades realmente perigosas.

Grande parte das ações ofensivas da Austrália aconteceu através de lançamentos longos, cruzamentos e bolas paradas. A equipe encontrou dificuldades para construir jogadas pelo chão contra o sistema defensivo egípcio e acabou dependendo de erros do adversário para criar perigo. Não por acaso, seu único gol nasceu justamente de uma infelicidade de Mohamed Hany, que desviou a bola para as próprias redes ao tentar afastar uma cobrança de falta.

Mesmo finalizando 16 vezes, os australianos acertaram apenas um chute na direção do gol durante toda a partida. Esse dado resume bem a atuação ofensiva da seleção: volume existiu em determinados momentos, mas a qualidade das conclusões foi baixa. 

O Egito, por outro lado, produziu menos finalizações, porém muito mais qualificadas, obrigando o goleiro Beach a realizar intervenções importantes, incluindo uma defesa espetacular após excelente cruzamento de Mohamed Salah nos acréscimos do tempo regulamentar.

Durante a prorrogação, quando normalmente as equipes passam a administrar o desgaste físico, a Austrália praticamente deixou de atacar. O Egito voltou a controlar a posse, circulou mais a bola e permaneceu instalado no campo ofensivo durante boa parte dos 30 minutos extras, reforçando a sensação de que estava mais próximo da classificação antes mesmo dos pênaltis.

Salah organizou o ataque, mas Emam Ashour foi o verdadeiro protagonista

Mohamed Salah voltou a exercer seu papel de líder técnico do Egito. Mesmo sendo constantemente marcado por dois defensores, participou da construção das principais jogadas ofensivas, ajudou na circulação da posse e criou oportunidades para seus companheiros. 

Sua qualidade apareceu especialmente nos minutos finais do tempo regulamentar, quando fez um cruzamento preciso que deixou o Egito muito perto da classificação. Apenas uma defesa excepcional de Beach evitou que o confronto fosse decidido antes da prorrogação.

Entretanto, o grande nome da partida foi Emam Ashour. O meio-campista fez talvez sua atuação mais completa com a camisa da seleção em uma Copa do Mundo. Além de marcar o gol que abriu o placar ainda aos 13 minutos, mostrou enorme capacidade para participar de praticamente todas as fases do jogo.

Ashour aparecia entre os zagueiros para iniciar as jogadas, aproximava-se dos atacantes para acelerar as transições e ainda contribuía defensivamente com intensidade na recuperação da posse. Durante os 120 minutos, foi o jogador que mais assumiu a responsabilidade, aparecendo constantemente para receber a bola e ditar o ritmo da equipe quando o jogo pedia mais calma ou mais velocidade.

Seu segundo gol nesta Copa do Mundo confirma o excelente momento vivido pelo Egito, que vem sendo um dos grandes destaques da campanha histórica da seleção. Enquanto Salah segue sendo o principal nome e referência técnica do país, Ashour mostrou que pode ser o motor deste time nos momentos decisivos.

A combinação entre a experiência de Salah e a energia de Ashour foi determinante para que o Egito alcançasse, pela primeira vez em sua história, uma vaga nas oitavas de final de uma Copa do Mundo. Se a seleção quiser continuar sonhando alto no torneio, a dupla certamente continuará sendo a principal esperança dos africanos.