Marcão Fluminense
Futebol Brasileirão

Como Marcão corrigiu o Fluminense no intervalo e venceu o Vasco?

O Fluminense não venceu o Vasco porque foi superior durante os 90 minutos. Venceu porque conseguiu perceber o que estava errado, corrigir o funcionamento da equipe e aproveitar a queda de intensidade do rival.

No primeiro tempo, o cenário era preocupante para o Tricolor. O Vasco pressionava a saída, ganhava disputas físicas e encontrava espaço principalmente pelo lado esquerdo da defesa de Marcão. Paulo Henrique e Andrés Gómez incomodavam, enquanto o Fluminense tinha dificuldade para fazer Ganso participar do jogo e praticamente não conseguia construir por dentro.

A diferença esteve na capacidade de resposta.

O time não voltou simplesmente com mais vontade depois do intervalo. Voltou diferente. E essa mudança ajuda a explicar por que um clássico que parecia pender para o Vasco terminou com vitória tricolor por 1 a 0 no Maracanã, pela 26ª rodada do Brasileirão.

Marcão percebeu onde o Vasco estava machucando

O primeiro mérito do treinador foi entender que o problema não estava apenas na posse de bola. O Fluminense precisava, antes de tudo, sobreviver melhor aos corredores. Paulo Henrique e Andrés Gómez estavam encontrando espaço pelo lado esquerdo da defesa tricolor. A resposta foi aproximar Canobbio de Renê para formar uma dobra naquele setor.

A mudança teve efeito imediato. Canobbio passou a participar mais da recomposição e ajudou a diminuir a liberdade dos dois jogadores do Vasco. Do outro lado, Soteldo também passou a colaborar mais defensivamente com Guga.

Isso permitiu que o Fluminense respirasse. É um detalhe que pode passar despercebido quando se olha apenas para o placar, mas foi fundamental para mudar o roteiro do clássico. O Fluminense não precisava necessariamente atacar mais naquele momento. Precisava parar de ser atacado com tanta facilidade.

E conseguiu.

Ganso também encontrou uma saída

Outra correção importante aconteceu no meio-campo. Ganso estava sofrendo com a intensidade e os duelos físicos impostos pelo Vasco. Em vez de insistir para que o camisa 10 recebesse a bola entre os marcadores, o Fluminense passou a recuá-lo.

Ganso começou a aparecer mais próximo de Martinelli, quase como um volante, ajudando na saída de bola e escapando dos duelos que estavam travando sua participação. A consequência foi simples: o Fluminense passou a ter mais controle.

Não era um futebol brilhante, mas era um futebol mais funcional. O Vasco deixou de conseguir pressionar com a mesma facilidade e, conforme o primeiro tempo avançava, sua intensidade começou a cair.

Marcão não precisava reinventar a equipe. Precisava fazê-la sobreviver ao momento mais difícil.

Lucho entrou para transformar a correção em vitória

O passo seguinte foi ainda mais decisivo. Aos 12 minutos do segundo tempo, Marcão tirou Ganso e colocou Lucho Acosta. A substituição não aconteceu em um cenário de desespero. O Fluminense já havia voltado melhor e começava a encontrar mais espaços.

Lucho entrou justamente para aproveitar esse novo contexto. E precisou de poucos minutos. Aos 15, Soteldo recebeu pela esquerda, encontrou espaço para cruzar e Lucho apareceu na área para marcar o gol da vitória. O argentino havia acabado de entrar e transformou uma mudança tática em resultado.

É importante não reduzir a vitória a uma simples “substituição certeira”.

Lucho foi decisivo, mas entrou em um time que já havia sido ajustado para jogar de outra maneira. O Fluminense primeiro diminuiu a força do Vasco. Depois, encontrou condições para atacar. A troca foi o último movimento de uma correção que começou antes.

O Vasco cansou, e o Fluminense soube aproveitar

Existe ainda um componente físico que Marcão soube interpretar. O Vasco vinha de uma sequência pesada, com classificação na Copa do Brasil no meio da semana, enquanto o Fluminense teve mais tempo para preparar o clássico. Isso não tira o mérito do Tricolor, mas ajuda a explicar por que o cenário mudou tanto depois do intervalo.

O Vasco começou o jogo em ritmo alto e conseguiu impor seu plano. Só que, quando a intensidade caiu, o Fluminense já estava preparado para ocupar melhor os espaços. Foi aí que a partida mudou de dono.

Depois do gol, o Vasco precisou se expor, e o Fluminense encontrou oportunidades para ampliar. Lucho e Serna tiveram chances, enquanto Fábio ainda precisou trabalhar na reta final para evitar o empate.

Isso também é importante: o Fluminense não dominou completamente o jogo depois de marcar. Soube sofrer.

E essa talvez seja uma das principais evoluções da equipe de Marcão.

A vitória mostra algo maior antes da Libertadores

O clássico deixa uma conclusão interessante. O Fluminense ainda pode ter problemas quando é pressionado fisicamente e quando precisa construir contra um adversário agressivo. O primeiro tempo mostrou isso com clareza.

Mas a equipe agora parece ter ferramentas para corrigir esses problemas durante a própria partida. Isso muda o teto do time.

Marcão não encontrou uma fórmula mágica. Encontrou alternativas. Canobbio pode ser mais do que um atacante aberto; pode ajudar a equilibrar um corredor. Ganso pode recuar para participar da construção. Soteldo pode trabalhar sem a bola. E Lucho pode entrar para mudar o jogo quando os espaços aparecerem.

Essa capacidade de adaptação será especialmente importante na Libertadores.

O Platense não necessariamente oferecerá o mesmo tipo de jogo que o Vasco, mas o princípio será parecido: partidas grandes exigem capacidade de entender o que está acontecendo e mudar antes que o problema se transforme em derrota.

O Fluminense fez isso no clássico.

Marcão não ganhou o Vasco apenas pela substituição que colocou Lucho em campo. Ganhou porque percebeu onde o time estava sofrendo, corrigiu os corredores, devolveu liberdade a Ganso e encontrou o momento certo para colocar um jogador capaz de decidir.

O gol de Lucho resolveu o placar. Mas a vitória começou muito antes dele balançar a rede.

FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C. / DIVULGAÇÃO