A chegada de Carlo Ancelotti mudou completamente o clima em volta da Seleção Brasileira. O time ganhou mais organização, parece mais consciente taticamente e finalmente transmite aquela sensação de “equipe séria” que o torcedor vinha cobrando há algum tempo.
Só que Copa do Mundo não é feita apenas de pontos fortes. Toda seleção favorita tem setores capazes de ganhar jogos… e outros que podem custar uma eliminação traumática em um mata-mata.
E olhando para o Brasil atual, fica muito claro que existem áreas extremamente fortes e outras que ainda deixam um belo ponto de interrogação no ar.
Pontos fortes e fracos da Seleção Brasileira de Ancelotti
Goleiros: talvez o setor mais preocupante da Seleção
Se existe um setor realmente caótico hoje na Seleção Brasileira, ele atende pelo nome de goleiros. E o problema começa justamente no titular.
Alisson Becker continua sendo o principal arqueiro do Brasil, mas o fato dele não jogar desde março naturalmente gera preocupação. Ainda mais porque estamos falando de uma posição onde ritmo competitivo pesa demais. Goleiro precisa estar em atividade constante, principalmente pensando em confiança e tempo de reação.
E se o reserva imediato estivesse voando, talvez a situação fosse mais tranquila. Só que não é o caso.
Ederson vive uma fase extremamente ruim no futebol turco. Falhas em jogos grandes, insegurança em bolas defensáveis e uma queda clara de confiança transformaram uma posição que parecia “luxo” há alguns anos em motivo de tensão real para o torcedor brasileiro.
Já a terceira opção também gera debate pesado.
Weverton aparece como nome de confiança da comissão técnica, muito pela experiência e pelo peso de já ter vivido ambiente de Copa do Mundo. Só que individualmente, existe uma discussão enorme sobre mérito técnico.
Hoje, Fábio e Everson se apresenta em nível superior dentro do futebol brasileiro, estamos falando de sólidas prateleiras de diferença. E honestamente? Não é uma discussão absurda.
Fábio segue desafiando a lógica com atuações gigantescas mesmo veterano, enquanto Everson talvez seja o goleiro mais completo do país atualmente. O problema é que a Seleção parece ter escolhido experiência e confiança interna ao invés de momento puro.
Zaga: o setor mais sólido do Brasil hoje
Se no gol existe caos, na zaga o cenário muda completamente. Hoje, o Brasil talvez tenha uma das melhores duplas de zaga do futebol mundial.
Gabriel Magalhães e Marquinhos entregam praticamente tudo que uma seleção precisa: imposição física, liderança, qualidade na saída de bola e experiência em jogos gigantes.
E existe um simbolismo forte nisso: estamos falando de dois jogadores protagonistas justamente entre os gigantes europeus que brigaram no mais alto nível da Champions League e em breve, estarão disputando o título da Liga dos Campeões.
Na reserva, o cenário também anima bastante. Bremer voltou muito bem fisicamente e retomou o status de defensor dominante na Itália. Já Léo Pereira vive talvez o melhor momento da carreira e hoje aparece tranquilamente entre os melhores zagueiros do futebol brasileiro.
Além deles, Ibanez ganhou espaço após a lesão de Éder Militão e oferece uma versatilidade interessante, podendo até atuar improvisado pela direita se necessário. É aquele setor que realmente passa sensação de segurança.
Laterais: uma posição que perdeu o brilho histórico
Agora vem um tema quase doloroso para o torcedor brasileiro: laterais. Porque o Brasil simplesmente parou de produzir laterais absurdos como antigamente.
E a comparação machuca ainda mais quando se lembra que já existiu uma disputa entre Marcelo e Filipe Luís no lado esquerdo. Hoje, a realidade é bem diferente.
Alex Sandro caiu bastante fisicamente em relação ao ano passado e já não entrega o mesmo impacto ofensivo. Seu reserva, Douglas Santos, é um jogador regular e confiável, mas também não parece alguém capaz de mudar patamar da equipe.
Na direita, o cenário também é curioso.
Wesley virou titular na Roma, praticamente atuando mais como ala pela esquerda do que lateral direito clássico nos últimos meses. Ofensivamente entrega muito, mas ainda existem dúvidas defensivas importantes.
Já Danilo permanece como homem de confiança de Ancelotti muito mais pela experiência e liderança do que pelo desempenho atual em campo, está longe de ser algumas das principais opções do elenco.
É aquele tipo de jogador importante para o grupo, vestiário e controle emocional. Só que tecnicamente já não parece viver nível de titular absoluto numa seleção favorita de Copa.
Meio-campo: Casemiro voltou e Bruno Guimarães virou peça-chave
No meio, o Brasil parece viver um cenário entre “forte” e “muito forte”. Muito disso passa pelo crescimento absurdo de Bruno Guimarães. Hoje, ele talvez seja o jogador mais importante taticamente da equipe.
É o cara que organiza saída, acelera pressão, conecta defesa e ataque e mantém intensidade coletiva. Ao lado dele, Casemiro voltou a jogar em alto nível justamente quando a Seleção mais precisava. Depois de um período turbulento, retomou confiança, agressividade defensiva e liderança.
E como Ancelotti gosta bastante do 4-2-4, a dupla ganha ainda mais importância.
No banco, as opções também cresceram bastante. Lucas Paquetá recuperou espaço e voltou a parecer relevante dentro do grupo. Já Danilo, do Botafogo, praticamente chutou a porta da Seleção com as oportunidades que teve recentemente.
Além deles, Fabinho oferece segurança como reserva imediato de Casemiro. Não é um meio brilhante artisticamente como em outras gerações, mas talvez seja um dos mais competitivos dos últimos anos.
Ataque: o setor onde Ancelotti pode brincar de montar time
Se o gol preocupa e as laterais deixam dúvidas, o ataque é justamente o setor que faz o torcedor brasileiro sorrir.
Porque aqui o Brasil simplesmente tem opção para tudo. A tendência hoje aponta para um quarteto ofensivo formado por Matheus Cunha, Vinícius Júnior, Raphinha e Luiz Henrique.
Só que o mais assustador talvez seja justamente o banco. Neymar ainda aparece como fator técnico absurdo quando saudável. Endrick talvez seja o maior talento geracional do país desde o próprio Neymar.
Além deles, ainda existem nomes como Igor Thiago, Rayan e Gabriel Martinelli. Ou seja: no ataque, Ancelotti realmente não passa fome. O grande desafio será transformar toda essa abundância ofensiva em um time equilibrado, porque Copa do Mundo não costuma ser vencida apenas por talento bruto.
Mas olhando setor por setor, fica claro que o Brasil possui material suficiente para sonhar muito alto. Desde que consiga sobreviver justamente nos pontos onde ainda transmite mais insegurança.
(Foto: arquivo pessoal / Endrick