O Chelsea começou a nova temporada da Premier League com uma vitória por 3 a 2 sobre o Fulham e deixou uma impressão que pode definir boa parte de sua campanha. De um lado, a equipe comandada por Xabi Alonso apresentou um ataque repleto de talento, velocidade e criatividade. Do outro, voltou a conviver com dúvidas importantes em uma posição que pode ser decisiva para qualquer equipe que pretende disputar o título: o gol.
A partida marcou o início da trajetória de Xabi Alonso no Stamford Bridge e também serviu como uma primeira demonstração do potencial ofensivo construído pelo clube. Morgan Rogers, contratado por 117 milhões de libras junto ao Aston Villa, estreou e marcou. Cole Palmer voltou a apresentar sinais de sua melhor versão. João Pedro precisou de apenas 31 segundos para balançar as redes.
Os três jogadores marcaram na vitória e formaram um trio ofensivo que rapidamente chamou atenção. A combinação entre eles pode ser uma das principais armas do Chelsea durante a temporada, especialmente se Palmer conseguir manter a condição física e recuperar definitivamente o nível que o transformou em uma das grandes estrelas da Premier League.
No entanto, a atuação de Robert Sánchez trouxe novamente uma preocupação que acompanha o clube. Dois erros do goleiro contribuíram para os dois gols do Fulham e transformaram uma partida que poderia ter sido tranquila em um final tenso.
O Chelsea, portanto, deixou sua estreia com três pontos, motivos para comemorar e também um problema evidente para resolver.
Palmer, Rogers e João Pedro mostram o potencial do novo ataque

O principal motivo para o otimismo dos torcedores está no setor ofensivo. A chegada de Morgan Rogers adicionou mais uma peça de qualidade a um ataque que já contava com Cole Palmer e João Pedro.
A estreia do novo reforço não poderia ter sido melhor. Rogers marcou um gol e criou cinco oportunidades durante sua primeira partida na Premier League pelo Chelsea. Com isso, tornou-se o primeiro jogador do clube a criar cinco chances em sua estreia na competição desde o início dos registros, na temporada 2003/04.
Além do desempenho individual, a conexão com Palmer também pode ser um fator importante. Os dois foram companheiros no Manchester City, mantiveram uma amizade fora dos gramados e agora voltaram a jogar juntos em Londres.
Rogers não escondeu sua admiração pelo companheiro após a partida. Segundo ele, Palmer passou por uma temporada complicada por causa das lesões, mas já demonstrava durante a pré-temporada que estava preparado para recuperar seu protagonismo.
E foi exatamente isso que aconteceu diante do Fulham.
Palmer participou diretamente do primeiro gol ao servir João Pedro, que marcou após apenas 31 segundos. O brasileiro aproveitou o passe e finalizou com qualidade para abrir o placar.
O gol entrou para a história recente do Chelsea como o mais rápido marcado pela equipe desde outubro de 2016.
Palmer também marcou o terceiro gol e mostrou criatividade, movimentação e intensidade durante a partida. A assistência para João Pedro já foi suficiente para igualar seu número total de passes para gol da temporada passada na Premier League.
O meia inglês está agora a apenas dois gols de alcançar a marca de 50 na competição. Depois de um longo período convivendo com problemas físicos, o jogador parece ter aproveitado as férias para recuperar as energias.
João Pedro também começou a temporada em grande momento. O brasileiro havia marcado oito gols em sete jogos durante a pré-temporada e manteve o ritmo logo na primeira rodada da Premier League.
Agora vestindo a camisa 9, João Pedro tem a oportunidade de assumir uma responsabilidade ainda maior no ataque. A saída de Liam Delap da equipe para esta partida abriu espaço, e o brasileiro respondeu rapidamente dentro de campo.
Com Palmer criando, Rogers oferecendo força física e capacidade de chegar à área e João Pedro mostrando presença ofensiva, o Chelsea tem motivos para acreditar que encontrou uma combinação capaz de competir com os melhores ataques do campeonato.
O ataque pode colocar o Chelsea na disputa, mas Sánchez é um problema

Se o ataque oferece esperança, a situação no gol provoca preocupação.
Robert Sánchez teve participação negativa nos dois gols sofridos pelo Chelsea. No primeiro, marcado por Josh King, o goleiro não conseguiu defender uma finalização considerada extremamente favorável para ele.
O dado mais impressionante está no xGoT, uma estatística que avalia a qualidade de uma finalização levando em consideração o local para onde a bola foi direcionada. O chute de King tinha um índice de apenas 0,05.
Foi a finalização com a menor avaliação entre todas as que terminaram em gol durante a rodada de abertura da Premier League. Em termos simples, era uma bola que Sánchez deveria ter defendido.
No segundo gol, o goleiro voltou a falhar. Após uma finalização de Timothy Castagne, Sánchez fez uma defesa sem firmeza e deixou a bola em uma região perigosa. Gonzalo García aproveitou a oportunidade e marcou.
Os erros chamaram ainda mais atenção porque o Chelsea conseguiu se reforçar em várias posições durante o mercado. Morgan Rogers chegou por um valor recorde para o clube e rapidamente mostrou seu impacto. O setor ofensivo parece mais forte, mas o gol continua sendo uma incógnita.
Jamie Carragher foi direto ao analisar a situação e afirmou que o Chelsea não conseguirá conquistar a Premier League se continuar com Sánchez como goleiro.
Gary Neville também demonstrou preocupação. Para o ex-jogador, um goleiro que transmite insegurança pode comprometer todo o trabalho construído pelo restante da equipe.
Esse é justamente o grande desafio de Xabi Alonso. O treinador tem em suas mãos um time com enorme potencial ofensivo, mas sabe que uma equipe que pretende disputar o título precisa encontrar equilíbrio.
Não basta marcar muitos gols se os erros defensivos continuarem oferecendo oportunidades aos adversários.
O Chelsea ainda conta com Mike Penders, goleiro de 21 anos que retornou após um empréstimo ao Strasbourg e aguarda sua oportunidade. Com a janela de transferências ainda aberta, também existe a possibilidade de o clube buscar um novo nome para assumir a posição.
A estreia mostrou que existem pelo menos três grandes motivos para o Chelsea sonhar com uma temporada de sucesso: Cole Palmer, Morgan Rogers e João Pedro. O trio apresentou qualidade suficiente para transformar o ataque em uma das grandes forças da Premier League.
Mas também ficou claro que existe um grande obstáculo.
Se Robert Sánchez não conseguir corrigir os erros e transmitir mais segurança, o Chelsea poderá ver o trabalho ofensivo ser prejudicado por problemas dentro da própria área. A equipe mostrou que tem qualidade para marcar gols e competir contra qualquer adversário.
Agora, para transformar esse potencial em uma verdadeira disputa pelo título, Xabi Alonso precisará encontrar uma solução para o outro lado do campo.
(Foto de capa: Getty Images)



