Na volta 22 do GP do Japão deste domingo (29), Oliver Bearman sofreu uma forte batida na curva Spoon que exigiu a intervenção do Safety Car. O britânico saiu do carro por conta própria, mas foi visto mancando e recebendo apoio dos fiscais de pista. Embora não tenha sofrido fraturas, o acidente incendiou o debate sobre os riscos de segurança do novo regulamento da Fórmula 1, em função da dinâmica em que ocorreu.
Bearman era o 18º colocado e perseguia Franco Colapinto, da Alpine, em um trecho de alta velocidade, quando o carro do argentino perdeu velocidade. O piloto da Haas precisou sair da pista para desviar, o que o levou a bater nas barreiras de proteção. A diferença entre os dois era de cerca de 50 km/h, motivada por diferentes estratégias de gerenciamento de energia e pelo fato de o nº 87 estar usando o modo de ultrapassagem.
Entenda a repercussão e as possíveis implicações da batida de Bearman.
FIA sob pressão por mudança no regulamento

Não é de hoje que o novo regulamento da Fórmula 1 vem recebendo críticas duras. Por diferentes motivos, o caminho adotado pela categoria em 2026 não agradou boa parte do grid.
A questão da segurança já havia sido levantada pelos pilotos quando ficou claro que o carro levava cerca de dez segundos para carregar o turbo antes da largada. O problema dos inícios irregulares quase provocou um acidente quando Liam Lawson, da Racing Bulls, saiu devagar, obrigando o próprio Colapinto a realizar uma manobra de reação extrema para evitar a colisão.
Agora, outra característica do regulamento de 2026 gerou um lance assustador, que poderia ter causado lesões a Bearman. É natural, portanto, imaginar que a categoria e o órgão máximo passem a discutir possíveis mudanças a partir disso, já que a segurança é um dos pilares do esporte moderno.
Ayao Komatsu, chefe da Haas, admitiu que Colapinto estava fazendo algo “consistente” no momento da batida e que a queda de velocidade foi uma consequência natural da estratégia energética adotada pelo argentino. Nesse contexto, a responsabilidade pelo acidente recai sobre o livro de regras, que favorece uma dinâmica de corrida em que carros perdem desempenho em trechos de alta velocidade para poupar bateria.
Bearman não criticou abertamente a FIA ou a categoria, mas explicou que a desaceleração repentina é “algo que faz parte dessas novas regras, e precisamos nos acostumar”.
Acidente de Bearman já havia sido anunciado
Há cerca de uma semana, Carlos Sainz Jr., da Williams, havia sido abertamente crítico à nova Fórmula 1 e mencionado a aerodinâmica ativa em trechos de alta velocidade como um fator que poderia causar um “grande acidente” em pistas rápidas.
Embora o acidente de Bearman não tenha sido causado pela ativação do modo de reta, ele evidencia a necessidade de ajustes no regulamento de 2026 para evitar que situações como essa coloquem os pilotos em risco.
Na sequência do ocorrido em Suzuka, Sainz afirmou que espera ver esforços para melhorar a segurança já para Miami, após a pausa de mais de um mês da Fórmula 1. “Tivemos sorte de haver uma área de escape ali. Imagine em Baku, Singapura ou Las Vegas, com essas diferenças de velocidade e batidas perto dos muros”, declarou. Ele dirige, desde 2025, ao lado de George Russell, a GPDA (Grand Prix Drivers’ Association), entidade que representa os interesses dos pilotos da categoria.
Colapinto, envolvido na batida com Bearman, também demonstrou descontentamento: “É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida. Mesmo rodando [fora da pista], ele [Bearman] me ultrapassou, então imagine a diferença de velocidade. Em alguns momentos é realmente perigoso. Fico feliz que ele esteja bem. São coisas que estão acontecendo com esses carros. Só precisamos entender como tornar isso um problema menor.”
(Foto principal: Kym Illman via Getty Images)

