A primeira Data Fifa da temporada 2026/27 trouxe uma novidade importante para o calendário do futebol europeu. Pela primeira vez, Premier League e Championship ficaram paralisadas durante três semanas, em vez das tradicionais duas, como parte de uma mudança promovida pela Fifa com o objetivo de reduzir o desgaste dos jogadores.
A ideia parecia fazer sentido. Em vez de cinco interrupções internacionais ao longo da temporada, o calendário passou a contar com quatro, concentrando mais partidas em algumas janelas e diminuindo o número de viagens realizadas pelos atletas.
Entretanto, o primeiro teste do novo formato levantou dúvidas. Diversos jogadores importantes sofreram problemas físicos durante o período com suas seleções, aumentando novamente a discussão sobre o excesso de partidas e o verdadeiro impacto das mudanças no calendário.
Entre os nomes afetados estão Erling Haaland, Kylian Mbappé, Cody Gakpo, Alexander Isak e Raphinha. A lista aumentou justamente durante uma janela criada, entre outros motivos, para melhorar o bem-estar dos atletas.
Por que a Data Fifa ficou maior?
Durante os últimos anos, a Fifa utilizava cinco períodos internacionais principais, normalmente distribuídos entre março, junho, setembro, outubro e novembro. Cada uma dessas janelas ocupava aproximadamente duas semanas do calendário.
A partir desta temporada, setembro e outubro foram praticamente transformados em um único período de três semanas. Em compensação, o número total de interrupções caiu de cinco para quatro.
Um dos motivos está relacionado à Copa do Mundo de 2026. A final aconteceu em 19 de julho, a data mais tardia para a decisão de um Mundial disputado no verão europeu desde 1966, diminuindo o período de descanso antes do início da nova temporada.
Outro objetivo era reduzir viagens internacionais. Jogadores sul-americanos e africanos que atuam na Europa, por exemplo, frequentemente atravessam continentes diversas vezes durante uma temporada para defender suas seleções.
Com menos Datas Fifa, a expectativa era diminuir esse desgaste. O problema é que concentrar mais partidas dentro de uma única janela também apresenta novos desafios.
Lesões colocam novo calendário em dúvida
A principal preocupação envolve justamente os problemas físicos registrados durante a pausa. Haaland deixou o confronto da Noruega contra Portugal sentindo dores e posteriormente deixou a concentração para realizar avaliações.
O Liverpool também acompanhou a situação de dois jogadores importantes. Cody Gakpo deixou a seleção holandesa por causa de um problema no tornozelo, enquanto Alexander Isak apresentou uma lesão leve na coxa e ficou fora da seleção sueca.
Fora da Premier League, o cenário também trouxe preocupação. Kylian Mbappé sofreu um problema físico defendendo a França, enquanto Raphinha retornou ao Barcelona com uma lesão na coxa após atuar pelo Brasil.
Ainda é cedo, porém, para afirmar que a nova Data Fifa provoca mais lesões do que o antigo formato. Como a janela é maior e possui mais compromissos, qualquer comparação precisa considerar número de partidas, períodos de descanso, viagens e carga acumulada.
Thomas Tuchel vê problemas, mas também benefícios
Thomas Tuchel está entre os treinadores que demonstraram preocupação com o novo sistema. O comandante da Inglaterra já havia classificado a janela de três semanas como mais complicada, principalmente pelo volume de viagens e pelo pouco intervalo entre algumas partidas.
O alemão também destacou que mudanças de treinamentos, horários e até de posição podem aumentar o risco físico para os atletas quando eles deixam seus clubes para defender as seleções.
Por outro lado, Tuchel reconheceu que existem benefícios esportivos. Passar mais tempo com os jogadores significa realizar mais treinamentos, reuniões e trabalhos táticos, algo especialmente importante no futebol de seleções, onde normalmente existe pouco tempo para desenvolver conceitos.
Segundo o treinador, a Inglaterra apresentou evoluções justamente depois de permanecer mais tempo reunida. A equipe conseguiu criar maior entrosamento e desenvolver automatismos que seriam mais difíceis em uma Data Fifa tradicional.

Torcedores também reclamam da longa interrupção
A duração da pausa não incomoda apenas clubes e treinadores. Parte dos torcedores ingleses criticou a ausência prolongada da Premier League e da Championship justamente quando as competições estavam começando a ganhar ritmo.
Para muitos fãs, três semanas sem acompanhar seus clubes representa uma interrupção excessiva. A preocupação aumenta quando jogadores retornam machucados justamente antes de uma sequência pesada de partidas nacionais e europeias.
Entretanto, algumas competições se beneficiaram. Sem os jogos das duas principais divisões inglesas, clubes das categorias inferiores ganharam maior espaço na televisão e atraíram novos torcedores aos estádios.
O futebol feminino também aproveitou a oportunidade. Cinco dos sete jogos da Women’s Super League realizados durante o fim de semana registraram público superior à média dos respectivos mandantes na temporada.
Novo formato ainda precisa de tempo para avaliação
A primeira experiência com a Data Fifa estendida deixou uma impressão dividida. Para as seleções, ter os jogadores durante mais tempo oferece uma oportunidade rara de treinamento e desenvolvimento coletivo.
Para os clubes, porém, a preocupação permanece. O número de atletas retornando com problemas físicos reforça o debate sobre um calendário que já estava congestionado antes mesmo da mudança.
A Fifa apresentou a alteração como uma maneira de melhorar o bem-estar dos jogadores, principalmente reduzindo viagens ao longo da temporada. Mas será necessário acompanhar as próximas janelas para descobrir se o benefício supera os riscos de concentrar mais partidas em períodos maiores.
Por enquanto, a experiência apresentou vantagens esportivas para algumas seleções e oportunidades para competições menores, mas também produziu exatamente aquilo que pretendia evitar: novas preocupações com a saúde dos jogadores.
Foto: Ahmad Mora – UEFA/UEFA via Getty Images



