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Automobilismo Fórmula 1

Honda prepara grande atualização para tentar salvar temporada da Aston Martin

A Aston Martin começou a dar sinais de reação na segunda metade da temporada de 2026, mas ainda enfrenta uma das maiores deficiências do grid: o desempenho de sua unidade de potência. Depois de introduzir um importante pacote de atualizações no chassi no GP da Hungria, a equipe agora espera que a Honda consiga dar um passo semelhante em Zandvoort.

A fabricante japonesa levará para o GP da Holanda sua primeira grande atualização de unidade de potência da temporada. O novo motor, chamado internamente de especificação 2, terá como principal objetivo atacar justamente o ponto que a Honda considera mais problemático em seu projeto de 2026: o motor de combustão interna.

A expectativa é que a combinação entre o pacote desenvolvido por Adrian Newey para o AMR26 e a evolução da Honda permita à Aston Martin reduzir ainda mais a enorme distância que a separou das equipes de ponta durante a primeira metade do campeonato.

Aston Martin já conseguiu reduzir o prejuízo

A situação da equipe melhorou consideravelmente na Hungria. O pacote desenvolvido para o AMR26 representou o primeiro grande passo de desenvolvimento da Aston Martin em 2026 e ajudou a diminuir sua desvantagem em ritmo de corrida.

Dados da Paceteq apontaram que o déficit da equipe foi de cerca de 2,034 segundos por volta no Hungaroring. O número ainda é elevado, mas representa uma evolução enorme em comparação com Silverstone e Spa-Francorchamps, onde a diferença chegou a superar cinco segundos por volta.

É importante, porém, considerar as características dos circuitos. Tanto Silverstone quanto Spa são pistas muito mais longas e exigentes em termos de potência, enquanto o Hungaroring coloca maior ênfase no chassi e na capacidade de contornar curvas. Por isso, a evolução observada na Hungria não significa necessariamente que a Aston Martin tenha eliminado seus problemas. O desempenho da unidade de potência continua sendo uma das principais limitações do projeto.

É justamente nesse ponto que a Honda pretende atuar em Zandvoort.

Honda admite que motor é seu maior problema

O próprio Shintaro Orihara, gerente-geral de operações de pista e engenheiro-chefe da Honda, reconheceu que o desempenho do motor de combustão está abaixo do apresentado pelos concorrentes. Para a fabricante japonesa, não faria sentido concentrar esforços em áreas secundárias enquanto a diferença de potência continuar tão grande.

A atualização de Zandvoort será, portanto, direcionada exclusivamente ao motor de combustão interna. A Honda entende que esse é o caminho mais importante para permitir que a Aston Martin volte a disputar posições de forma mais competitiva.

A expectativa mais otimista em relação ao ganho da nova especificação chega a aproximadamente 30 cavalos de potência, embora a Honda não tenha confirmado oficialmente um número específico. E mesmo que o ganho seja significativo, a própria fabricante sabe que uma única atualização não será suficiente para eliminar completamente a diferença para os rivais.

Objetivo é voltar ao “pelotão de corrida”

Mais do que buscar uma determinada quantidade de cavalos, a Honda estabeleceu um objetivo bastante claro para a estreia do novo motor: fazer com que a Aston Martin volte a estar em condições de disputar posições. A ideia é chegar a um ponto em que pequenas diferenças de desempenho possam realmente decidir uma posição na pista.

Isso representa uma mudança importante em relação à situação atual. Se a equipe está vários décimos ou até segundos atrás dos adversários por volta, detalhes de acerto ou pequenas melhorias de desempenho têm pouco impacto no resultado final. A Honda quer justamente eliminar parte dessa diferença para que o trabalho realizado durante cada fim de semana volte a fazer diferença.

Novo motor também traz um problema: a dirigibilidade

Existe, porém, um efeito colateral importante na chegada da nova unidade de potência. A alteração no motor de combustão também modificará o comportamento do carro, especialmente durante as curvas. Isso significa que Fernando Alonso e Lance Stroll terão de se adaptar novamente à forma como a unidade de potência entrega sua força.

A chamada dirigibilidade se tornou um dos grandes assuntos da temporada de 2026, principalmente por causa da complexidade das novas unidades de potência e de seus sistemas de gerenciamento de energia. A Honda já vinha trabalhando para encontrar uma configuração que oferecesse aos pilotos uma resposta mais previsível e natural do motor. O problema é que a nova especificação altera as características da combustão e, consequentemente, o comportamento da unidade de potência.

Com isso, a fabricante terá de voltar a trabalhar na calibração da entrega de potência.

Honda não começa do zero

Apesar do desafio, Orihara deixou claro que a Honda não considera que todo o trabalho realizado até agora será perdido. A fabricante passou boa parte da primeira metade da temporada aprendendo como otimizar a dirigibilidade da unidade de potência. Esse conhecimento poderá ser aplicado ao novo motor.

Em outras palavras, o objetivo agora não é descobrir novamente como fazer o motor se comportar bem, mas adaptar tudo o que já foi aprendido às características da nova especificação. Essa experiência pode ser especialmente importante porque a Aston Martin também modificou seu chassi. Com um carro mais eficiente e capaz de alcançar velocidades maiores nas curvas, as exigências sobre a unidade de potência também mudam.

A nova relação entre chassi e motor será, portanto, um dos pontos mais importantes para avaliar em Zandvoort.

Teste na Hungria foi importante para evitar surpresas

Antes da estreia oficial da nova unidade de potência em um fim de semana de corrida, Aston Martin e Honda já tiveram a oportunidade de coletar dados durante um dia de filmagem realizado no Hungaroring. A atividade foi importante justamente por permitir que as duas partes observassem o comportamento inicial do novo motor instalado no carro.

Esses dados podem ajudar a Honda a identificar eventuais problemas de dirigibilidade e à Aston Martin a entender como o novo conjunto interage com o chassi atualizado. Assim, quando a especificação 2 entrar oficialmente em ação em Zandvoort, a equipe não estará completamente às cegas.

O GP da Holanda será, portanto, um teste importante para a parceria. A Aston Martin já mostrou na Hungria que as atualizações de Adrian Newey podem reduzir significativamente o déficit aerodinâmico e de chassi. Agora, a Honda terá a missão de atacar o outro lado do problema.

Se o novo motor entregar um ganho relevante de potência sem comprometer a dirigibilidade, Zandvoort poderá representar o primeiro fim de semana em 2026 no qual a Aston Martin consiga avaliar de maneira mais realista o potencial de seu novo projeto. Mas, diante do tamanho da diferença acumulada na primeira metade da temporada, a atualização deve ser encarada como o início de uma recuperação e não como uma solução definitiva.

Foto: (Reprodução/MotorSport Images)