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Quando a África terá novamente um vencedor da Bola de Ouro?

A Bola de Ouro é o prêmio individual mais tradicional e prestigiado do futebol mundial. Ao longo de sua história, grandes jogadores marcaram seus nomes na premiação, mas quando o assunto é o continente africano, os números revelam uma realidade bastante diferente. Desde que jogadores de fora da Europa passaram a ser elegíveis, apenas um africano conseguiu conquistar o prêmio: George Weah, em 1995.

Mais de três décadas depois, a África continua esperando por um novo vencedor. A edição de 2026 reforça essa dificuldade. Entre os 30 jogadores indicados, apenas dois representam o continente: Achraf Hakimi, do Marrocos, e Sadio Mane, do Senegal.

Os dois possuem carreiras consolidadas e já apareceram entre os melhores colocados em outras edições, mas não surgem como os principais favoritos ao prêmio neste ano. O cenário torna ainda mais distante a possibilidade de um sucessor para Weah, único africano a levantar a Bola de Ouro masculina.

A situação chama atenção principalmente pela quantidade de grandes jogadores que o continente produziu nas últimas décadas. Nomes como Samuel Eto’o, Didier Drogba, Yaya Toure, Mohamed Salah e Sadio Mane marcaram época no futebol europeu, conquistaram títulos e foram protagonistas em alguns dos maiores clubes do mundo. Mesmo assim, nenhum deles conseguiu repetir o feito do atacante liberiano.

George Weah segue sozinho na história africana

George Weah
Foto: Getty Images

A relação da África com a Bola de Ouro começou de maneira histórica. Até 1995, jogadores que representavam seleções não europeias não podiam disputar o prêmio, independentemente de suas atuações nos clubes.

A mudança nas regras permitiu que atletas de outros continentes entrassem na disputa, e o primeiro ano da nova era terminou com uma conquista africana.

George Weah venceu a Bola de Ouro de 1995 após se destacar pelo PSG e pelo Milan. O liberiano superou nomes importantes do futebol europeu, como o alemão Jurgen Klinsmann e o finlandês Jari Litmanen.

Aquele resultado parecia representar o início de uma nova fase. O continente finalmente poderia disputar de maneira igualitária o principal prêmio individual do futebol mundial.

No entanto, a expectativa não se confirmou da maneira esperada.

Desde a vitória de Weah, apenas uma vez outro jogador africano terminou entre os três primeiros colocados. O feito aconteceu em 2022, quando Sadio Mane terminou na segunda posição, atrás de Karim Benzema.

Mane também representa um dos principais exemplos de como a concorrência pelo prêmio se tornou extremamente difícil. O senegalês foi protagonista do Liverpool durante anos, conquistou grandes títulos e teve temporadas individuais de enorme impacto. Mesmo assim, não conseguiu alcançar a primeira posição.

Outros jogadores chegaram perto. Didier Drogba terminou em quarto lugar em 2007, enquanto Samuel Eto’o alcançou sua melhor posição em 2009, quando terminou em quinto.

Em 2019, a África viveu outro de seus melhores momentos na premiação. Três jogadores do continente ficaram entre os dez primeiros. Sadio Mane terminou em quarto, Mohamed Salah em quinto e Riyad Mahrez na décima posição.

Mesmo com essa presença significativa entre os melhores do mundo, nenhum deles conseguiu se aproximar da conquista.

Parte da dificuldade também pode ser explicada pelo domínio de dois jogadores durante grande parte do século. Entre 2008 e 2023, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo conquistaram 13 das 15 Bolas de Ouro distribuídas.

A presença dos dois transformou a disputa pelo prêmio em algo ainda mais restrito para jogadores de outras regiões do mundo.

Os números mostram a baixa presença africana na premiação

Drogba Brasileirão
Foto: Getty Images

Desde 1995, jogadores africanos receberam 76 indicações à Bola de Ouro. O número representa apenas 6,62% do total de candidatos ao prêmio durante esse período.

Os dados demonstram que o problema não está apenas na ausência de vencedores. A presença africana entre os próprios indicados também continua limitada.

Samuel Eto’o é o jogador africano com mais indicações na história. O ex-atacante camaronês apareceu entre os candidatos em nove anos consecutivos, entre 2003 e 2011.

Sua melhor colocação foi o quinto lugar conquistado em 2009.

Didier Drogba aparece logo atrás, com oito indicações. Mohamed Salah possui seis, enquanto Sadio Mane soma cinco.

Mane, porém, possui uma marca interessante de longevidade. Aos 34 anos, suas primeiras e mais recentes indicações estão separadas por um intervalo de dez anos, mostrando sua capacidade de permanecer entre os principais nomes do futebol internacional durante uma longa parte de sua carreira.

Entre os países, a Costa do Marfim lidera o ranking de indicações, com 15. Grande parte desse número foi construída por Drogba, responsável sozinho por oito aparições na lista.

Camarões aparece em seguida com 12 indicações, sendo nove de Samuel Eto’o.

A Nigéria possui dez indicações e é o país com o maior número de jogadores diferentes nomeados. Ao todo, oito atletas nigerianos já apareceram na disputa. A melhor colocação foi alcançada por Victor Osimhen, que terminou em oitavo lugar em 2023.

Senegal possui oito indicações, impulsionado principalmente por Sadio Mane. Gana e Egito aparecem com seis cada, enquanto Mohamed Salah é responsável por todas as seis indicações egípcias.

Existem também dados que demonstram como a presença africana ainda está concentrada em poucos países.

Trinta e nove nações do continente jamais tiveram um jogador indicado à Bola de Ouro. Entre elas estão República Democrática do Congo e África do Sul, duas das seleções africanas mais bem posicionadas no ranking mundial.

Outro dado ainda mais significativo é que nenhum jogador atuando por um clube africano foi indicado ao prêmio. Todos os africanos que chegaram à lista estavam vinculados a equipes que disputavam competições fora do continente, principalmente no futebol europeu.

A nova geração e a esperança por um segundo vencedor

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Foto: Getty Images

A edição de 2026 mostra novamente a dificuldade da África para aumentar sua presença entre os principais candidatos.

Achraf Hakimi e Sadio Mane são os únicos representantes do continente na lista de 30 indicados.

Hakimi vive uma das melhores fases de sua carreira pelo PSG e se consolidou como um dos principais laterais do futebol mundial. O marroquino também possui experiência em grandes competições e foi peça importante para sua seleção em campanhas recentes.

Mane, por sua vez, continua sendo um dos maiores nomes da história recente do futebol africano. Sua presença na lista demonstra sua longevidade, mas a disputa atual apresenta concorrentes que tiveram temporadas de enorme impacto.

Para conquistar novamente a Bola de Ouro, um jogador africano provavelmente precisará combinar uma grande temporada individual com títulos coletivos importantes.

O formato da premiação costuma valorizar atletas que conseguem ser protagonistas em conquistas de Champions League, Copa do Mundo e outras grandes competições internacionais.

Essa combinação pode dificultar o caminho dos africanos, principalmente porque muitos dos principais jogadores do continente não possuem equipes nacionais com o mesmo poder competitivo das seleções europeias ou sul-americanas em torneios mundiais.

Mesmo assim, a África continua produzindo talentos capazes de mudar essa realidade.

Victor Osimhen demonstrou isso ao terminar entre os dez melhores em 2023. Ademola Lookman também ganhou reconhecimento após uma temporada histórica pelo Atalanta, incluindo um hat-trick na final da Europa League, que o ajudou a terminar em 14º na edição de 2024.

A nova geração oferece outros motivos para acreditar em uma mudança. Jogadores africanos continuam ocupando posições importantes nos maiores clubes europeus e assumindo cada vez mais protagonismo em competições continentais.

No futebol feminino, entretanto, o cenário é ainda mais limitado.

Desde a criação da Bola de Ouro Feminina, em 2018, apenas quatro jogadoras africanas foram indicadas. O continente soma apenas dez indicações entre 195 jogadoras que já apareceram nas listas do prêmio.

Barbra Banda, da Zâmbia, possui três indicações. Malawi também soma três, divididas entre as irmãs Tabitha e Temwa Chawinga. A Nigéria aparece com duas indicações, ambas conquistadas por Asisat Oshoala.

Nunca houve mais de duas jogadoras africanas indicadas em uma mesma edição.

Os números deixam claro que ainda existe um longo caminho para aumentar a representatividade africana na principal premiação individual do futebol mundial.

George Weah continua sendo um símbolo histórico e, até hoje, uma exceção. Sua conquista em 1995 mostrou que um jogador africano pode chegar ao topo do futebol mundial, mas a ausência de um segundo vencedor durante mais de 30 anos demonstra o tamanho do desafio.

Com Hakimi, Mane, Osimhen e uma nova geração de talentos surgindo, a pergunta continua aberta: quando a África terá novamente um vencedor da Bola de Ouro?

A resposta ainda é impossível de prever, mas o continente continua esperando pelo jogador que conseguirá finalmente deixar George Weah acompanhado na história da premiação.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique