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Manchester City ainda busca fórmula para fazer Haaland voltar a ser decisivo; entenda

O Manchester City começou a temporada 2026/27 da Premier League com uma vitória por 2 a 1 sobre o Bournemouth, mas o resultado não escondeu um problema que pode incomodar Enzo Maresca ao longo dos próximos meses: Erling Haaland está recebendo pouco do que precisa para ser decisivo.

Curiosamente, o norueguês começou a nova temporada com um visual diferente. Depois de cortar o cabelo e abandonar o tradicional visual de longas madeixas loiras, Haaland entrou em campo com uma aparência renovada. O problema é que, pelo menos na estreia da Premier League, o ataque do City continuou parecendo o mesmo da derrota para o Arsenal na Community Shield.

E isso é muito mais preocupante do que o corte de cabelo.

Haaland terminou a partida contra o Bournemouth com cinco finalizações, mas apenas uma realmente exigiu uma defesa de Đorđe Petrović. O centroavante até se movimentou, procurou espaços e tentou participar da construção, porém passou boa parte do jogo esperando por uma bola que simplesmente não chegava em condições ideais.

No fim, quem salvou o Manchester City foram dois jogadores de defesa: Marc Guéhi, improvisado no meio-campo, e Joško Gvardiol, que apareceu na frente para marcar o gol da virada nos acréscimos.

Para Maresca, três pontos importantíssimos. Para Haaland, um lembrete de que talento individual não resolve tudo.

Haaland mudou, mas o problema está ao redor dele

Haaland chega à temporada depois de um verão em que sua imagem ganhou ainda mais força. O atacante foi um dos grandes protagonistas da campanha da Noruega na Copa do Mundo de 2026 e terminou o torneio como um dos principais nomes da seleção.

A expectativa, portanto, era de que ele começasse a nova temporada voando.

Só que existe uma diferença importante entre Haaland na Noruega e Haaland no atual Manchester City. No clube inglês, o atacante depende de uma estrutura muito específica para potencializar suas características.

Durante os melhores anos da equipe de Pep Guardiola, o norueguês contou com jogadores capazes de encontrar seus movimentos em profundidade, acelerar a construção e colocar a bola exatamente onde ele precisava.

Kevin De Bruyne foi um dos grandes exemplos. Bernardo Silva também tinha papel fundamental na circulação e na criação. Rodri controlava o meio-campo e dava equilíbrio para que os jogadores ofensivos pudessem atacar.

Agora, essa estrutura mudou completamente.

Bernardo Silva, Rodri e John Stones deixaram o clube durante o verão, seguindo para Real Madrid, Barcelona e Inter, respectivamente. São três nomes que somam uma quantidade enorme de experiência e qualidade perdida pelo elenco.

Em outras palavras, Haaland continua sendo Haaland. Só que os jogadores responsáveis por encontrá-lo não são mais os mesmos.

Centroavante pode ser vítima da reconstrução

A estreia contra o Bournemouth deixou isso bastante claro. Haaland finalizou cinco vezes, mas teve poucas oportunidades realmente limpas. Uma de suas melhores chances aconteceu aos 75 minutos, quando o Manchester City ainda perdia por 1 a 0.

Phil Foden participou da jogada, mas o cruzamento que chegou à área saiu dos pés de Guéhi. A bola veio um pouco atrás de Haaland, que precisou ajustar o corpo para tentar finalizar. O resultado foi uma conclusão sem força suficiente para ameaçar Petrović.

Não é exatamente o tipo de lance que fazia Haaland parecer um dos atacantes mais assustadores do planeta.

O ex-jogador da Premier League Paul Merson já havia alertado sobre isso antes da partida. Para ele, o norueguês poderia enfrentar dificuldades justamente porque o novo Manchester City possui jogadores mais voltados ao drible e à condução do que àquele passe vertical capaz de colocá-lo na cara do gol.

A questão é bastante simples: Haaland precisa de serviço.

Não importa se ele está em excelente fase, se marcou dezenas de gols ou se acabou de voltar de uma Copa do Mundo. Um centroavante que vive de atacar profundidade precisa receber a bola em profundidade. E o City ainda está tentando descobrir quem fará isso.

Cherki muda o jogo

A melhor notícia para Maresca talvez tenha vindo do banco de reservas.

Rayan Cherki entrou no segundo tempo e, em apenas alguns minutos, mudou a dinâmica ofensiva do Manchester City. O francês foi responsável pelas duas assistências da virada, encontrando Guéhi no empate e Gvardiol no gol da vitória.

Sua entrada mostrou uma coisa importante: o City ainda possui jogadores capazes de criar situações diferentes.

Cherki trouxe mais criatividade, improviso e capacidade de quebrar linhas. A equipe passou a atacar com mais velocidade e encontrou espaços que não apareciam anteriormente.

O problema é que Haaland não foi o beneficiado direto por essa transformação. Quem marcou foram Guéhi e Gvardiol. É uma situação curiosa: o Manchester City precisou de dois defensores para virar uma partida que deveria ter sido decidida pelo seu principal goleador.

Isso não significa que Haaland esteja mal. Significa que o funcionamento coletivo ainda está longe do ideal.

Reconstrução do meio-campo virou prioridade

Por isso, o mercado de transferências continua sendo fundamental para o Manchester City.

Pouco antes da partida contra o Bournemouth, o clube avançou em um acordo pelo jovem Ayyoub Bouaddi, do Lille. O meio-campista é visto como uma peça capaz de assumir responsabilidades importantes no setor e, principalmente, ajudar a preencher o enorme espaço deixado por Rodri.

Maresca já deixou claro que encontrar o “novo Rodri” é uma das prioridades do projeto.

O treinador sabe que não será possível simplesmente substituir um jogador desse nível como se fosse trocar uma peça de videogame. Rodri foi construído ao longo dos anos dentro do sistema do City e se tornou um dos jogadores mais importantes da história recente do clube.

Ainda assim, o Manchester City precisa encontrar uma solução. E não necessariamente apenas uma.

Alex Scott, destaque do Bournemouth na partida, aparece entre os jogadores monitorados. O clube também não teria desistido da possibilidade de contratar Enzo Fernández, especialmente pela relação de Maresca com o argentino desde os tempos de Chelsea.

Alexis Mac Allister, do Liverpool, também é apontado como alternativa. Se o City conseguir contratar um desses jogadores além de Bouaddi, o setor poderá ganhar uma profundidade completamente diferente.

Manchester City ainda pode mudar até o fim da janela

A vitória sobre o Bournemouth, portanto, deve ser vista com duas lentes.

A primeira é positiva: o Manchester City mostrou capacidade de reação, venceu mesmo jogando abaixo do esperado durante boa parte do confronto e conseguiu iniciar a Premier League com três pontos.

A segunda é um alerta. O time ainda está em construção. Maresca assumiu uma equipe que perdeu referências importantes, está testando jogadores em novas posições e ainda espera reforços para solucionar problemas evidentes no meio-campo. E Haaland está no centro dessa questão.

Se o Manchester City conseguir reconstruir rapidamente a estrutura ao redor do atacante, o norueguês provavelmente voltará a marcar gols em ritmo assustador. Afinal, sua capacidade de finalizar e atacar espaços continua intacta. Mas se a equipe permanecer sem um meio-campo capaz de abastecê-lo, Haaland poderá passar por uma temporada bem mais complicada do que o esperado.

A boa notícia para Maresca é que a janela de transferências ainda não acabou. A má notícia é que o tempo está acabando. Enquanto isso, Haaland já fez sua parte: mudou o cabelo. Agora, cabe ao Manchester City mudar o que realmente importa ao redor dele.

Foto: Nick Potts/PA Images/Getty Images